Por causa das inúmeras dificuldades enfrentadas no meio musical independente, cada vez mais, bandas e artistas procuram soluções viáveis para a realização de seus projetos, sejam eles discos, shows, vídeos ou turnês. Ultimamente, uma dessas soluções vem ganhando destaque entres as bandas por ser uma ótima forma de mobilização e relacionamento com o seu público, o crowdfunding.
Para quem ainda não ouviu falar, crowdfunding é uma maneira independente de captação de recursos pelas bandas e artistas para realizar algum de seus projetos, a ideia gira em torno do financiamento em troca de recompensas, ou seja, o público investe dinheiro na realização do projeto que uma banda ou artista se propôs a fazer e em contrapartida recebe uma recompensa. Na maioria das vezes, esse processo é intermediado por sites especializados em financiamento coletivo, e existem vários no Brasil, o Movere.me é um deles. No Maranhão, o crowdfunding ainda não tem muita penetração no meio artístico musical, mas, assim como no resto do país, aos poucos essa situação tende a mudar.
Emilio Sagaz, também líder da banda Diamante Gold, uma das boas referências sonoras de São Luís, foi o primeiro (pelo menos, que nos é conhecido) a criar um projeto em um site de crowdfunding. O projeto objetiva o financiamento do primeiro clipe do seu trabalho solo. A meta é arrecadar R$3.000,00 no prazo de 60 dias, com oferecimento de recompensas aos investidores que variam entre um pôster autografado da banda, cortesias para um show, um violão, etc. Aqui você pode ter mais informações sobre o projeto, saber com mais detalhes sobre todas as cotas de investimento e recompensas, e o mais importante, financiá-lo.
O Emílio respondeu rapidamente duas perguntas sobre seu trabalho solo e sobre o projeto do clipe:
CV - O que esse projeto solo teu: como e quando nasceu? No que se diferencia do teu trabalho com DG? Já tem algo lançado /quando lança?
ES - Esse projeto já era uma vontade antiga minha, sempre tive como influência algumas bandas nessa vertente do rock eletrônico, como ‘Late of the Pier’, ‘Metronomy’, ‘The Whitest Boy Alive’ entre outras. Diamante Gold é carregado de um som de fácil aceitação, caminhando entre o pop e o lado b, esse meu projeto solo é mais difícil de ser assimilado, as guitarras são cruas e a bateria é eletrônica o que foge um pouco do costumeiro pop apresentado nas rádios e tv brasileira, assim se diferindo do DG que segue esse ritmo comercial. Porém, esse projeto vem me rendendo frutos fora do Maranhão, fui selecionado em seis edições diferentes do Festival Grito Rock, que infelizmente não pude comparecer, devido problemas de disponibilidade da banda, apesar desse ocorrido fiquei muito feliz pelos convites, porque é uma forma de reconhecimento. Além disso, lancei três canções no Melody Box (http://www.melodybox.com.br/emiliosagazesouvenir), site que fui destaque na semana em que lancei a primeira música: ‘Aquele que Melhor Vencer’. Recentemente outra canção do EP a ser lançado foi escolhida como uma das Canções da Coletânea Arretada (Virtual), também disponível no site da Melody Box, isso comprova minha previsão de que a aceitação em São Luís talvez não fosse tão boa, mas que no resto do país seria bem vindo, em decorrência dos outros estados já terem contato com esse tipo de som. Enfim, o EP vai conter cinco músicas com o apoio da Mad Rock e Oxente Tattoo, e deve ser lançado no mês de maio de 2012 em um Festival Cultural no Reviver, que provavelmente será o maior festival cultural que São Luís vai ter o prazer de viver, o projeto tá muito lindo, eu tô cruzando os dedos que isso realmente aconteça, caso o Festival não venha a ser realizado, o lançamento do EP deverá ser lançado também no mês de maio no Odeon ou no Bar do Nelson.
CV - Sobre o 'crowdfunding' do clipe, como tu teve a ideia? Tu já conhecia esse forma de financiamento de projetos musicais? Tu acha que essa é uma boa saída para as bandas independentes realizarem seus projetos?
ES - Foi engraçado, um dia conversando com um amigo ele me deu essa ideia de apresentar um projeto pra uma empresa de financiamento coletivo, e de repente no outro dia uma empresa do Rio de Janeiro (movere.me) me liga perguntando se eu tinha interesse em apresentar um projeto, pois ele viram meu perfil no site TNB e se interessaram, eu aceitei na hora, pois essa minha vontade de produzir um clipe não é de hoje e nas situações atuais um bom clipe tem maior peso até que um disco inteiro em questões de amplitude visual. A meu ver, essa é uma das melhores formas de uma banda independente começar a caminhar, pois os custos são muitos e as vezes uma banda de grande potencial não consegue se sobressair devido a falta de capital. Ter uma banda parece ser simples, mas não é, é preciso ter um bom site, boas fotos, um bom clipe, apresentações visuais de qualidade, se você for analisar a indústria fonográfica hoje, esses quesitos chegam até a estar acima dos quesitos boa música e presença de palco. Enfim, é uma boa pedida pra conseguir recursos, porém tem que ser bem direcionado, pois não da pra todo dia tá pedindo dinheiro pros fãs (risos).
Importante dizer que, como diz o site do movere.me, a ideia do financiamento coletivo é 'tudo ou nada': "Se o projeto via crowdfunding alcançar pelo menos 100% da meta no prazo estipulado pelo autor, ele leva o dinheiro para realizar o projeto e tem o dever de recompensar os incentivadores - Todos ganham TUDO! Se o projeto no movereincentivadores recebem o dinheiro de volta - Ninguém perde NADA!"
Entrevista e texto por Paulo Henrique Moraes